Profissionais de póker emigram devido à proibição do jogo online
São 50 os jogadores profissionais de póker que, até ao momento, abandonaram Portugal devido à proibição do jogo online no nosso pais.
A nova legislação do mercado de apostas e jogos online, regulada em Abril de 2015 e implementada em Junho do mesmo ano, obriga os sites relativos a este tipo de atividade à implementação de determinadas regras e à obtenção de licenças legais para poderem exercer atividade. Embora muitos sites tenham enviado ou mostrado interesse no envio de candidaturas às mesmas, os sucessivos atrasos no processo de regulação, fizeram com que a entidade responsável – o Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), do Turismo de Portugal (TP), não tenham ainda emitido qualquer licença. Perante um cenário de ilegalidade, no qual se prevêem coimas de valor avultado, os sites de apostas e jogos online viram-se obrigados a abandonar o mercado português. Até ao momento, foram 86 os sites encerrados em solo nacional. Destes, 28 encerraram de forma voluntária, tendo os restantes sido a tal obrigados por bloqueios do Internet Server Provider (ISP). De salientar, ainda, que as coimas previstas não penalizam apenas os sites em incumprimento mas também os jogadores que decidam jogar em plataformas ilegais ou não autorizadas, o que, perante um cenário no qual não existem sites legalizados, prejudica quem desta atividade retirava grande parte do seu rendimento.
O descontentamento globalizado dos jogadores de póker tem feito com que muitos decidam abandonar o país. Entre os destinos escolhidos pelos 50 jogadores profissionais de póker que até ao momento abandonaram o país, encontram-se países como o Brasil, o Reino Unido ou a República Checa. O retorno económico da atividade destes profissionais das apostas é suficiente para que optem por emigrar, deixando para trás as suas famílias, projetos académicos ou mesmo vias profissionais tradicionais.
Muitos dos jogadores que emigraram mostram intenções de retornar a solo luso assim que seja permitido apostar legalmente no nosso país, embora mostrem um grande descontentamento com as questões da liquidez internacional, inicialmente prevista e que, numa fase inicial, não será implementada, impedindo que os jogadores portugueses possam jogar livremente contra o resto do mundo.
Embora as primeiras licenças estivesse inicialmente previstas para o mês de Outubro de 2015, esta previsão não se cumpriu. Sem que nenhuma licença tenha sido atribuída até ao momento, o cenário atual é de expectativa relativamente a que tal aconteça ainda no primeiro trimestre do corrente ano, data prevista pela SRIJ nas suas últimas declarações.